DEZEMBRO ’20 | CASA DAS ARTES

Chegamos ao final do ano de 2020. Um ano atípico e difícil. Um ano que dificultou ainda mais a estreia e exibição do cinema português e que manteve filmes menos tempo em sala do que mereciam. Por essa razão dedicamos o mês de dezembro a alguma das obras portuguesas estreadas este ano.

Abrimos o mês com a exibição do filme MOSQUITO de João Nuno Pinto, estreado mesmo antes do fecho dos cinemas em Março. Filme de abertura do 49º festival de Roterdão, Mosquito centra-se na jornada do soldado Zacarias, um jovem português sedento por viver grandes aventuras heroicas durante a Primeira Guerra Mundial.

No sábado dia 5, , inserido no ciclo 7 ½, exibimos a obra-prima de Jean-Luc Godard À Bout de Souffle. O filme será apresentado por Vitor Ribeiro, diretor do Cineclube do Joane e programador do Close-up – Observatório de Cinema.

Criado a propósito do 75º aniversário do Cineclube tem como premissa a escolha de um filme por década desde a criação (1945) do Clube Português de Cinematografia – cineclube do Porto. São mais de setenta anos de cinema que o Cineclube do Porto tem vindo a acompanhar. Da película à era digital – a história dos filmes do Cineclube do Porto é também a história do cinema. As sessões terão lugar a cada primeiro sábado do mês.

Na quinta-feira, dia 10, exibimos a primeira longa-metragem de Gonçalo Wadington Patrick, que esteve em competição no festival de San Sebastian e que conta a história de Patrick, um jovem parisiense que descobre que foi raptado em Portugal quando tinha apenas 8 anos. No sábado, dia 12, exibimos o mais recente filme realizado por Rodrigo Areias, Surdina, uma “tragicomédia minhota” escrita por Valter Hugo Mãe, e com a banda sonora a cargo de Tó Trips.

Na quinta-feira, dia 17, exibimos a longa-metragem de José Oliveira, Os Conselhos da Noite, uma carta de amor à cidade de Braga. O filme estreou na edição deste ano do festival FANTASPORTO.

No dia 18, numa sessão extra e muito especial, celebramos o centenário do nascimento de Vasco Branco com projeção de algumas das suas obras seguida de uma conversa com a sua família.

Para fecharmos o ano exibimos no dia 19 de dezembro o filme dedicado a Zé Pedro lendário guitarrista dos Xutos e Pontapés, o documentário Zé Pedro Rock N’Roll é realizado pelo Diogo Varela Silva.

Não percam o mês de Dezembro, há muito para ver!

Devido às restrições impostas por causa do combate à pandemia COVID-19, as sessões de quinta-feira passam para o horário das 19h e as de sábado para as 10h30.

quinta-feira, 3 de dezembro | 19h

MOSQUITO

João Nuno Pinto

PT / FR/ BR / MZ | 2019 | FIC | 122’| M/14

Zacarias é um jovem português sedento por viver grandes aventuras heróicas durante a Primeira Guerra Mundial. Enviado para Moçambique, onde o conflito se desenrola longe dos olhares do mundo, o soldado vê-se deixado para trás pelo seu pelotão e parte numa longa odisseia mato adentro, à procura da guerra e dos seus sonhos de glória.

Sábado, 5 dezembro | 10h30

ciclo 7 ½

filme apresentado por Vítor Ribeiro

O ACOSSADO

À BOUT DE SOUFFLE

Jean-Luc Godard

FRANÇA | 1960 | FIC | 105’ | M/12

apresentado por Vítor Ribeiro

Ao lado de LES 400 COUPS, este é o grande “filme-símbolo” da Nouvelle Vague e um dos filmes que abre as portas do cinema moderno. Foi o primeiro sinal de que, como escreveu Serge Daney, este novo cinema não só não se contentava em sacudir o “antigo”, como ameaçava, literalmente, destruí-lo. À BOUT DE SOUFFLE é um dos filmes que melhor ilustra as consequências práticas e teóricas dos postulados da Nouvelle Vague, fazendo “explodir” o cinema para depois o reinventar. A primeira longa-metragem de Godard resultava, por si mesma, num dos momentos mais decisivos da história do cinema, com Belmondo recriando também um mito clássico, o de Bogart.

Texto Cinemateca Portuguesa

Quinta-feira, 10 de dezembro | 19h

PATRICK

Gonçalo Waddington

PORTUGAL | 2019 | FCI | 103 | M/14

Patrick, de 20 anos, vive em Paris com o namorado, um homem mais velho com quem mantém uma relação de dependência. A vida dele é uma sucessão de festas, drogas e sexo. Um dia, depois de se envolver num desacato, é preso. Na esquadra, a polícia dá-se conta de que Patrick é, afinal, Mário, um rapaz português desaparecido há 12 anos. Essa constatação faz com que lhe permitam voltar para a vila da Sertã, em Portugal, onde vive a família. Agora, tantos anos volvidos sobre o seu rapto, nada é como dantes. Mário perdeu a inocência dos seus oito anos; a família, por seu lado, ficou irremediavelmente destruída pelo desgosto. A grande dificuldade para este jovem, que neste tempo se foi adaptando às circunstâncias, será recriar laços com os familiares e gerir as discrepâncias entre a vida na capital francesa e o meio rural de onde provém e que agora é novamente a sua casa.

Sábado, 12 de dezembro | 10h30

SURDINA

Rodrigo Areias

PORTUGAL | 2019 | FIC | 73’

Num espaço rural, um velho homem recebe a notícia de que a sua falecida mulher foi vista a fazer compras na feira.
Revoltado, pretende esconder-se de todos, despeitado e triste, mas os seus amigos insistem para que não dê ouvidos ao povo e aproveite tal facto para se fortalecer e, quem sabe, casar-se de novo.
Esta é uma história da delicadeza de se ser velho, do que resta ainda para sonhar e para amar quando a idade avança significativamente e o corpo se enfraquece. Num Portugal antigo e recôndito, que afinal existe, apesar de tudo quanto façamos para nos modernizarmos.

Quinta-feira, 17 dezembro | 19h

OS CONSELHOS DA NOITE

José Oliveira

PORTUGAL | 2019 | FIC | 121 | M/12

Roberto, jornalista retirado e desiludido com o seu passado, acaba de largar o trabalho no campo numa quinta alentejana e regressa à sua cidade natal, Braga. No entanto, ao regressar, sente uma forte energia na cidade e entre viagens ao passado e uma intensa vida nocturna, um novo capítulo se abre.

Sexta-feira, 18 de dezembro | 19h

SESSÃO ESPECIAL COMEMORAÇÃO CENTENÁRIO VASCO BRANCO

ENTRADA LIVRE

exibição de algumas das suas obras seguida de uma conversa com a família.

ESPELHO DA CIDADE

1961

Doc | 10’ – cor – 8mm – som separado- sem cópia 

Levando a invasão da água pelos canais da cidade de Aveiro ao limite, este filme dá a ver o labor de uma cidade imersa. A inquietação progressiva das águas contamina as formas que habitam a cidade revelando, não só a cidade do trabalho do sal, mas também a cidade sonhada por quem trabalha.

Diz Vasco Branco: “A cidade vista através do seu espelho: a laguna. Do anoitecer ao amanhecer a cor sofre modificações sensíveis nesta cidade branca e ensoalhada”.

FIGURAS E ABSTRACTO

1959

Ani | 7’ – cor – 8mm

Considerado o primeiro filme abstracto português. Na já difícil categoria de fantasia, em realidade esta produção marca um lugar extraordinariamente destacado, pois a sua feitura, quer sob aspecto técnico como sob o artístico, denota qualidades de saber, gosto e paciência, que dificilmente se podem encontrar reunidos no mesmo indivíduo. O filme começa por mostrar-nos um pintor que no seu afã de arte acaba por fazer um experiência com a mistura de desenhos representativos de arte figurativa com outros de arte abstracta.

Vasco Branco realizou uma experiência importante no campo do cinema sem câmara. A segunda parte do filme, propriamente onde a fantasia se desenvolve, foi feita com desenhos abertos a buril de ponta de aço em película, colorida depois directamente a aguarela e guacho.

Filme aberto a buril em pontas de película, colorido a guacho e aguarela. Tentativa de filme sem câmara, procurando ironizar com a ideia que a ignorância faz da criação artística de alguns dos valores plásticos contemporâneos.


A LUZ E OS ANJOS

1962

Vasco Branco estava muito entusiasmado com este filme, acerca do qual me dizia querer colocar em confronto a diacronia entre o Barroco dos anjos do Museu de Santa Joana (Aveiro) e o modo como a luz dos automóveis modificava e animava a expressão dos seus rostos.

Ele próprio se refere ao filme, nestes termos:

 “Aliciante, isto de animar, de dar um sopro fugaz de vida à matéria inanimada. E, sobretudo, duas épocas em confronto: uma procurando o infinito, outra procurando superar as suas limitações na clave do humano”.

Gente Trigueira

Doc | 16’  – cor – 8mm 

Gente Trigueira é a gente queimada pelo Sol rasando a superfície das águas da Ria, da gente encardida pelo ar salino da laguna. Esforço titânico, mas compensação miserável para quem labuta nas fainas do Sal, do moliço, do junco, do berbigão. Gente Trigueira é, em suma, a paisagem humana da minha terra.

Dificuldade de governar

Ani – 3’19”

Sábado, 19  de dezembro | 10h30

ZÉ PEDRO – ROCK N’ROLL

Diogo Varela Silva

PORTUGAL | 2019 | DOC | 110’

Zé Pedro, o lendário guitarrista dos Xutos e Pontapés, é a maior figura do rock ‘n’ roll português, tendo sido o seu grande impulsionador, não só enquanto guitarrista fundador da maior banda nacional de sempre, mas também através na divulgação do género como crítico de música, radialista e dono do Johnny Guitar, mítico clube lisboeta e sala de concertos, onde tantas e tantas bandas deram os primeiros passos.

De acordo com as novas regras associadas ao combate à pandemia do COVID-19, o uso de máscara é obrigatório no interior da Casa das Artes e durante a duração total do filme.

Os lugares serão marcados e com um lugar de intervalo entre os espectadores.

Sala Henrique Alves Costa

bilhete normal: 3,5€ | bilhete estudante / +65 anos: 2,5€ | bilhete sócio CCP: 0,5€

A bilheteira abre 45 minutos antes de cada sessão.

Não se fazem reservas. Não há multibanco.

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