OUTUBRO’20 | 75 ANOS CINECLUBE DO PORTO | CASA DAS ARTES

Sala Henrique Alves Costa

Casa das Artes

OUTUBRO

Celebrações

75 anos do Cineclube do Porto

No dia 13 de abril de 2020 o Cineclube fez 75 anos. Por causa da pandemia e da paragem forçada das nossas atividades, as celebrações previstas para esse mês foram adiadas para o mês de outubro.

A partir de dia 15, apresentamos uma programação especial dedicada a estes 75 anos de atividade com o arranque de um ciclo especial (7 ½) que se estenderá pelos próximos meses. Teremos um filme-concerto como sessão especial de aniversário, exibiremos também o documentário O Auto da Floripes realizado pela secção Cinema Experimental do Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto em 1960 que foi recentemente restaurado em parceria com a Cinemateca Portuguesa.

Na última semana do mês teremos duas sessões com enfoque em antigos sócios e dirigentes do Cineclube. O documentário sobre Sério Fernandes, que contará com a presença do próprio e do realizador é exibido, quinta-feira, dia 29.

A fechar este mês de comemorações e para além de duas curtas-metragens sobre Luís Neves Real e Henrique Alves Costa será apresentado o livro “75 anos: Cineclube do Porto” uma edição comemorativa com artigos de investigadores e personalidades destacadas da área do cinema onde se abordam temas tais como as origens do movimento cineclubista e o particular contributo do Cineclube do Porto, o contexto artístico portuense na sua ligação com o Cineclube, o acervo do Cineclube do Porto e a sua relevância não só para a leitura da cultura cinematográfica dos últimos 75 anos como para a promoção e o suporte do trabalho desenvolvido por investigadores desta área do conhecimento.

Quinta-feira, 1 de Outubro | 21h30

A GRANDE BELEZA

LA GRANDE BELLEZA

Paolo Sorrentino

França / Itália | 2013 | FIC | 142’ | M/16

Há já várias décadas que Jap Gambardella vive à sombra do enorme sucesso angariado com “O Aparelho Humano”, o seu único romance. Em Roma, onde reside, a sua existência tem sido um festival de luxos, prazeres e festas de todos os géneros. Apesar de sempre se ter considerado um homem feliz e realizado, agora, à beira do seu 65.º aniversário, Jap está consciente da futilidade das suas ambições. Assim, decidido a mudar o rumo da sua vida, regressa às memórias de um amor passado e resolve voltar a escrever um grande livro. Mas será ele capaz de vencer o cinismo e o desprezo que sente pelo mundo e por si mesmo?

Sábado, 3 de outubro | 18h00

A FESTA

THE PARTY

Sally Potter

RU | 2017 | FIC | 77’

A FESTA – uma comédia envolta em tragédia – desenvolve-se em tempo real numa casa de Londres, nos dias de hoje. Janet recebe um grupo de amigos próximos para celebrar a sua promoção a “Ministra-Sombra” da Saúde do partido da oposição. Mas o marido, Bill, parece preocupado. À medida que os amigos chegam, alguns com notícias para partilhar, a noite vai-se desenrolando. Um anúncio de Bill provoca uma série de revelações que rapidamente escalam em confronto aberto. Enquanto as ilusões das pessoas em relação a si próprias e umas às outras se vão desfazendo em fumo, tal como os canapés, a festa torna-se numa noite que começou com champanhe e acaba com sangue no chão.

Quinta-feira, 8 de outubro | 21h30

O ANJO EXTERMINADOR

EL ANGEL EXTERMINADOR

Luis Buñuel

MÉXICO | 1962 | FIC | 92’

Depois de um jantar de cerimônia, um grupo de respeitáveis burgueses fica retido em casa de um deles. Por uma razão qualquer, só os criados conseguem atravessar a porta da sala de jantar. Depressa se resignam ao enclausuramento e, pouco a pouco, vão-se submetendo a uma promiscuidade completamente estranha aos seus hábitos. O ambiente deteriora-se e a selvajaria aparece. Quando finalmente se libertam, vão a uma missa para agradecerem a Deus. Mas no fim da missa, o padre não consegue atravessar o limiar da sacristia.

Sábado, 10 de outubro | 18h00

THE PARTY

Blake Edwards

EUA | 1968 | FIC | 99’

Hrundi V. Bakshi (Peter Sellers) é um desastrado ator indiano que destrói acidentalmente um grande estúdio durante uma rodagem. Convidado por engano para uma festa em casa do produtor do filme, Bakshi está no centro de inúmeras confusões, progressivamente caóticas. Obra hilariante próxima da genialidade, é considerada por muitos como o melhor filme de Edwards e o melhor filme de Sellers, que aqui se revela como um dos grandes mestres da comédia de todos os tempos.

Texto da Cinemateca Portuguesa

A propósito do 75º aniversário do Cineclube é apresentada uma programação especial que se estenderá por 8 meses com a exibição de 9 filmes, um por mês ( com excepção do primeiro mês com duas exibições) e arrancará no mês das comemorações do aniversário. 

7½ (Sete e meio), nome dado a esta programação,  tem como premissa a escolha de um filme por década desde a criação (1945) do Clube Português de Cinematografia – cineclube do Porto. São mais de setenta anos de cinema que o Cineclube do Porto tem vindo a acompanhar. Da película à era digital – a história dos filmes do Cineclube do Porto é também a história do cinema.

Como preâmbulo desta programação exibir-se-à o filme de Dreyer, VAMPYR de 1932.

A programação que começa com Orson Welles e passa por Bresson, Godard, Coppola e filmes como “Sans Soleil”, “Arca Russa” e “Under the Skin” pretende discutir e refletir com a ajuda de convidados especiais sobre a importância de cada filme apresentado não só na história do cinema mas o impacto que tiveram na altura da sua estreia.  

As sessões acontecerão a todos os primeiros sábados de cada mês, sempre às 18h00, nas nossas sessões regulares na Casa das Artes.

Quinta-feira, 15 de outubro | 21h30 

VAMPYR

Carl Th. Dreyer

FR/AL | 1932 | FIC | 75’

“O filme que mais ecoa em mim”, declarou Jean-Marie Straub. VAMPYR realizador por Carl Th. Dreyer é um dos filmes mais insólitos da história do cinema, um filme de terror banhado em luz. 

Vampyr conta a história de um estudante obcecado com o sobrenatural que visita uma velha pousada nos arredores de Paris e encontra provas da existência de vampiros.

Sábado, 17 de outubro | 18h00

O QUARTO MANDAMENTO

THE MAGNIFICENT AMBERSONS

Orson Welles

EUA | 1947 | FIC | 88’

apresentado por Regina Guimarães

O segundo filme de Welles foi mutilado pelo estúdio, que contratou um outro realizador para acrescentar um happy end. História de uma poderosa família e da sua decadência, em que a casa (com o seu pórtico, as suas escadas, a cozinha, os salões) é um elemento central. Para muitos, apesar da “ausência do last cut” como da última palavra de Welles na montagem, THE MAGNIFICENT AMBERSONS é uma obra de um poder tão ímpar como CITIZEN KANE. É o filme do famoso pós genérico em que o cineasta e narrador, a voz do filme, apresenta em off os atores concluindo com “And my name is Orson Welles”.

Texto da Cinemateca Portuguesa

Quinta-feira, 22 de outubro | 21h30

SESSÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO

O GABINETE DO DR. CALIGARI

DAS CABINET DES DR. CALIGARI

Robert Wiene 

ALEMANHA |1920 | FIC | 80’ | M/12

CINE-CONCERTO COM HAARVÖL

Um dos filmes mais vistos ao longo dos 75 anos do Cineclube do Porto, O Gabinete do Dr. Caligari que este ano celebra 100 anos de existência é um filme precursor do expressionismo alemão que tem deslumbrado, ao longo de anos, várias gerações de amantes do cinema e que, também por isso, escolhemos trazer para as nossas comemorações.  Depois de um cine-concerto com Filho da Mãe, em Abril de 2017, no cinema Passos Manuel, o Cineclube do Porto regressa a Dr. Caligari com Haarvöl. um projecto colectivo com três membros permanentes (Fernando José Pereira, João Faria e Rui Manuel Vieira) e com colaborações várias como o compositor galego Xoán-Xil López ou o compositor e guitarrista franco/mexicano Bertrand Chavarria-Aldrete e activo no campo da música electrónica experimental desde 2012.

A música de Haarvöl é conceptualmente desenvolvida na exploração das propriedades dos sons, a fim de alcançar ambientes cinemáticos e de imagem. Os sons não estão restritos às suas origens mediais: tanto fontes digitais quanto analógicas são usadas e misturadas em composições complexas com atenção especial aos detalhes.

O filme decorre no manicómio do Dr. Caligari que com os seus poderes hipnóticos comanda os seus doentes a seu bel-prazer. Um retrato desvirtuado e delirante que pretende refletir sobre uma Alemanha destroçada pela primeira Grande Guerra. Um dos maiores acontecimentos cinematográficos da História. Foi com “O Gabinete do dr. Caligari” que o expressionismo alemão nasceu. Os seus cenários deformados, são um marco na história da sétima arte e pretenderam reflectir o olhar louco de Caligari sobre o mundo real.

Sábado, 24 de outubro | 18h00

Estreia no Porto da cópia restaurada do filme da Secção de Cinema Experimental do Cineclube do Porto

O AUTO DA FLORIPES

Realização coletiva da secção de Cinema Experimental do Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto.

PORTUGAL | 1960 | DOC | 60’

O ​Projecto ​de restauro do filme da secção Experimental do Cineclube do Porto, ​Auto da Floripes​, realizado em 1958-1962, no Lugar das Neves, convergência de três freguesias pertencentes ao concelho de Viana do Castelo: Barroselas, Mujães e Vila de Punhe, onde se representa anualmente no 5 de Agosto o Auto da Floripes, iniciou-se em 2019, numa parceria entre o Cineclube do Porto e a Cinemateca Portuguesa com o apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo. Este projecto tem em vista a valorização do Auto da Floripes através do filme homónimo consistindo no restauro, digitalização e ​edição em DVD, da película existente, protegendo-a e tornando-a acessível através da sua digitalização. O DVD, parte das edições da Cinemateca Portuguesa, contará com extras com entrevistas a Alexandre Alves Costa, Luís Ferreira Alves e Jorge Constante Pereira, assim como textos originais, escritos no âmbito do projecto de restauro de Catarina Alves Costa, José Alberto Pinto, Paulo Raposo e Tiago Batista. 

Gravado no verão de 1959 no Lugar das Neves, Viana do Castelo, e estreado em maio de 1963 no Cinema Trindade, no Porto, o filme da Secção de Cinema Experimental do Cineclube do Porto O Auto da Floripes é um registo ímpar do cinema português. A partir de uma ideia original de Henrique Alves Costa, o filme, além de um documento visual e antropológico da tradição da representação do teatro popular O Auto da Floripes, realizado ainda hoje no Lugar das Neves e com repercussões em São Tomé e Príncipe e no Brasil, apresenta uma visão sobre o que desejava ser o cinema português. O Auto da Floripes é um exemplo rico da vontade de fazer e da importância dos Cineclubes em Portugal no encontro de uma geração com o seu cinema.  

Manoel de Oliveira diz “São amadores? São, sim senhor. Mas são-no no melhor sentido. ” e 

António Rodrigues afirma “uma verdadeira descoberta, um objecto cinematográfico sólido, ousado e repleto de ideias, realizado por pessoas que tinham talento e sabiam o que faziam.” 

*Domingo, 25 de outubro | 17h00| Casa Museu Manoel Oliveira, Serralves

ACTO DA PRIMAVERA

Manoel de Oliveira

1963 | DOC | 94’

* Sessão em Parceria com Casa Museu Manoel Oliveira – Acto na Primavera de Manoel de Oliveira (relacionado com Auto da Floripes) estabelecendo um paralelo entre os dois filmes, ou um olhar partilhado pelos dois filmes numa conversa coordenada por António Preto. 

Quinta-feira, 29 de outubro | 21h30

SÉRIO FERNANDES – O MESTRE DA ESCOLA DO PORTO

Rui Garrido

PORTUGAL | 2019 | DOC | 88’ |

apresentado por Sério Fernandes e Rui Garrido 


Há 40 anos atrás, Sério Fernandes era realizador de anúncios televisivos e dono de uma das mais bem-sucedidas empresas de publicidade em Portugal. É então que decide abandonar tudo para se focar nos seus próprios filmes. Hoje, Sério Fernandes é conhecido como o mestre da escola do Porto.

Sábado, 31 de outubro | 18h00 

UM HOMEM NÃO É UM HOMEM SÓ

Alberto Seixas

PORTUGAL | 2018 | DOC | 20’

Um filme de Alberto Seixas sobre Luís Neves Real, da família Neves & Pascaud proprietários do Cinema Trindade e Cinema Batalha, onde o Cineclube do Porto programou durante várias décadas e que foi um cineclubista importante, uma figura de discreta que contribuiu incomensuravelmente para o Cineclube do Porto mas também para a ideia de cinema na cidade do Porto com ecos que chegam até aos nossos dias. 

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MEMÓRIAS FAMILIARES

Adriana Rocha, José Alberto Pinto, Luís Vieira Campos

Com base em filmagens realizadas pelo Cineclube e montado em 2020 para o aniversário dos 75 anos do cineclube, Memórias Familiares é um filme inédito, que procura revelar a figura de Henrique Alves Costa, outra das personalidades de maior importância na história do Cineclube do Porto. 

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APRESENTAÇÃO DO LIVRO 75 ANOS DO CINECLUBE DO PORTO

Nos últimos anos o Cineclube do Porto, tem trabalhado em conjunto com entidades parceiras, nomeadamente, a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, o MIMO – Museu da Imagem em Movimento e o Arquivo Histórico Municipal do Porto – Casa do Infante, num esforço conjunto que visa disponibilizar ao público o seu acervo fílmico, equipamento e memorabília, biblioteca e documentação.

Deste trabalho exaustivo, e também reflexo da constante procura pela parte de investigadores da área do cinema, surge a vontade de compilar numa edição especial algum do trabalho que tem sido desenvolvido, bem como alguns textos originais. 

É assim que no âmbito da comemoração dos 75 anos do Cineclube do Porto surge a publicação de uma edição comemorativa intitulada “75 anos: Cineclube do Porto” com artigos de investigadores e personalidades destacadas da área do cinema. A edição deste livro, que cremos ser uma urgência histórica, aborda temas tais como as origens do movimento cineclubista e o particular contributo do Cineclube do Porto, o contexto artístico portuense na sua ligação com o Cineclube, o acervo do Cineclube do Porto e a sua relevância não só para a leitura da cultura cinematográfica dos últimos 75 anos como para a promoção e o suporte do trabalho desenvolvido por investigadores desta área do conhecimento. 

A edição é bilíngue, originalmente redigida em português com tradução para a língua inglesa, de modo a permitir uma circulação alargada. São entidades parceiras desta edição comemorativa o Instituto do Cinema e do Audiovisual, o Município do Porto, a Direção Regional de Cultura do Norte e a Cinemateca Portuguesa.

Sala Henrique Alves Costa- Rua Ruben A, 210, Porto

bilhete normal: 3,5€ | bilhete estudante / +65 anos: 2,5€ | bilhete sócio CCP: 0,5€

A bilheteira abre 45 minutos antes de cada sessão.

Não se fazem reservas. Não há multibanco.