VIVE LA FRANCE | CASA DA MÚSICA | 15 a 19 janeiro’20

VIVE LA FRANCE 2020
CASA DA MÚSICA

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Pelo segundo ano consecutivo, o Cineclube do Porto apresenta 5 filmes em parceria com a Casa da Música inseridos na semana de abertura do Ano França na Casa da Música, VIVE LA FRANCE,  a decorrer entre dia 10 a 19 de janeiro (as sessões de cinema iniciam-se no dia 15).

Podem saber mais sobre o resto do ciclo aqui.


A proposta que o Clube Português de Cinematografia – Cineclube do Porto apresenta para a abertura do ano na Casa da Música em torno da música francesa, procura relacionar a música com o cinema, enquanto temática mas também enquanto sua parte integrante.
O uso da música e a presença da “canção francesa” no cinema francês tem uma longa tradição,destacando-se na história do cinema, e em especial no período da chamada Nouvelle Vague: vaga de cinema novo francês conhecido pelo trabalho de cineastas como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Eric Rohmer, Jacques Rivette e Agnés Varda, entre outros.
Começamos com os primórdios do cinema e Jean Cocteau, com o filme experimental O sangue de um poeta, com música original de um dos primeiros compositores de cinema: Georges Auric. Esta composição original é parte do grande valor deste filme surrealista.
E falando de música e de cinema, não podemos esquecer o pai do cinema francês (e não só) Jean Renoir, com um filme que aborda a música popular francesa, associada à música de cabaret e à frenética dança can-can. French Can-Can é um filme cheio de cor, movimento e música, numa rara aparição da mais famosa cantora popular francesa Edith Piaf – tantas vezes ouvida no cinema (segundo o IMDB, as suas canções fazem parte de cerca de 275 bandas sonoras) mas tão raras vezes vista no ecrã.
Entramos na nouvelle vague, com dois filmes essenciais, ambos com a magnífica actriz Jeanne Moreau. Em Jules e Jim, de François Truffaut ouvimos Jeanne Moreau interpretando um tema original de Serge Rezvani Le Tourbillon. Esta canção torna-se um exemplo paradigmático de um dos usos da música no cinema francês da nouvelle vague, no qual a canção e a sua ligação ao filme perpassa do cinema para fora dele.
Em Fim-de-semana no ascensor, de Louis Malle, vemos de novo Jeanne Moreau mas desta feita tendo a música como sua companhia de performance. Na verdade, o uso disruptivo da música de Miles Davis virá a ser definidor de um outro modo a utilização da música – quer seja clássica, quer moderna – no cinema francês.
E, da nossa contemporaneidade, apresentamos um dos mais internacionalizados compositores para filmes franceses Philippe Rombi que aqui mostramos a acompanhar o sombrio Swimming Pool de François Ozon, com Charlotte Rampling e Ludivine Sagnier num thriller psicológico no qual, na medida dos filmes de Hitchcock, a música desempenha um papel crucial para adensar a tensão dramática.

 

Quarta-feira, 15 de janeiro | 21h00

LE SANG D’UN POÈTE
Jean Cocteau
França | 1932 | Experimental | 55′
Música de Georges Auric

Le Sang d’un poète é um filme de uma originalidade gritante, que impõe uma nova linguagem de expressão no cinema. Com música de Georges Auric (que fez parte do grupo de jovens compositores Les Six, apadrinhado por Satie e Cocteau), o filme apresenta uma sucessão de episódios surrealistas, organizada em quatro secções, que contam a história de uma estátua que ganha vida. É exemplo da obsessão maior de Cocteau pelo tema da Morte (que vemos também em Orphèe e Testament d’Orphée que podem, com Le Sang D’un Poète, ser entendidos como uma trilogia). Para a sua realização, Cocteau consegue o apoio do rico aristocrata francês Charles de Noialles – financiador de Le Chien Andalou (Luis Buñuel, Salvador Dalí). Aquando a sua conclusão, Noialles lidava com o escândalo gerado pelo último filme de Buñuel, L’âge d’or, levando ao adiamento da estreia do filme por dois anos e contribuindo para interregno de mais de 15 anos de Cocteau no cinema.


Quinta-feira, 16 janeiro | 21h00

FRENCH CAN-CAN
Jean Renoir
França | 1954 | Comédia | 105′
Música de Georges Van Parys

Com Jean Gabin no papel principal, French Can-can conta a história de um homem e a sua fervorosa relação com o mundo do espectáculo e da performance na noite de Paris, a criação do famoso Moulin Rouge, cabaret cheio de mulheres sedutoras, e o aparecimento de uma artista especialmente talentosa pela qual se perderá.

Sexta-feira, 17 janeiro | 21h00

FIM-DE-SEMANA NO ASCENSOR
Louis Malle
França | 1958 | THRILLER | 91′
Música Miles Davis

A primeira longa metragem de Louis Malle (com 26 anos) é uma trama quase hitchcockiana carregada de sombras, que narra a conspiração de dois amantes num crime que ligará todas as personagens. O filme abre com uma das cenas mais tensas e íntimas da história do cinema, seguindo depois a personagem feminina central, interpretada por Jeanne Moreau, numa deambulação pela
cidade, cuja alienação urbana reconheceremos noutros filmes após os anos 60 (Antonioni, p.exemplo). A música original de Miles Davis (com 31 anos) foi composta e gravada em França, onde Miles se refugiou após um período conturbado nos Estados Unidos no qual teve de dispensar, por problemas relacionados com drogas, os seus colegas John Coltrane e Philly Joe. Miles, viu algumas cenas que Louis Malle tinha já finalizado e compôs a solo um dos seus álbuns mais conhecidos e uma das bandas sonoras mais carismáticas de sempre.


Domingo, 19 janeiro | 16h00

JULES ET JIM
François Truffaut
França | 1962 | FICÇÃO | 107′
Música de Serge Rezvani interpretada por Jeanne Moreau.

Um triângulo amoroso entre dois artistas e uma mulher cativante que, com a sua juventude e generosidade, vivem em comunhão até que as durezas da vida os separam. Um filme brilhante que fala de juventude e liberdade, demonstrando pela sua temática um sentimento de mudança no entendimento da sexualidade nos anos 60, presente frequentemente nos filmes da nouvelle vague.

 

Domingo, 19 janeiro | 18h00

SWIMMING POOL
François Ozon
França | 2003 | FIC | 103′
Música de Philippe Rombi

A história de uma famosa escritora de best sellers nas suas férias no sul de França e o encontro obsessivo com uma jovem. Swimming Pool apresenta uma trama subtil e perversa, que tira proveito de uma banda sonora singela. Sobre a música, François Ozon afirma ter aberto uma excepção e ter incluído o compositor no processo. Como o filme descreve o processo de escrita de um livro, Ozon pediu a Philippe Rombi para compor, a partir do argumento, a música, sugerindo através desta o conteúdo do livro que a personagem principal se incita a concluir.


Entrada livre 

(bilhete adquirido no próprio dia na bilheteira da casa da música)

MORADA: AV. DA BOAVISTA, 604-610, 4149-071 PORTO, SALA 2 
BILHETEIRA / INFORMAÇÕES: (+351) 220 120 220 / INFO@CASADAMUSICA.COM