Ciclo Saguenail – UM CINEMA MARGINAL | 31 janeiro a 12 fev’2016

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Organizar em 2017 uma retrospectiva de Saguenail, a primeira no Porto, era imperativo. É um gesto de construção de memória.

Saguenail continua em plena actividade, estreia inclusivamente o seu filme mais recente na sessão de abertura deste ciclo (Decrescente, 31 de Janeiro, Teatro Municipal do Porto – Rivoli). Mas Saguenail tem um longo percurso na criação de Cinema.  É um autor profundamente vinculado à cidade. Urge por isso dar aos espectadores a oportunidade de se confrontar com os seus filmes e de se relacionar com eles. É um autor que se diz experimental e marginal por direito próprio, como resultado da sua postura e dos seus conceitos. É-o, diz-nos, porque respeita o Cinema, porque o compreende nos seus limites e é nessas fronteiras que se sente completo.

Saguenail é um cineasta praticante e militante.

No contexto do ciclo retrospectivo será editado o catálogo Saguenail – um cinema marginal, disponível para compra na bilheteira.

A programação do ciclo é da responsabilidade de Luís Vieira Campos. A coordenação do catálogo do Cineclube do Porto.

 

Sexta-feira, 03 de fevereiro | 22h00

SESSÃO DE ABERTURA | TEATRO MUNICIPAL DO PORTO – RIVOLI
DECRESCENTE

PT | 2016 | FIC | 56′

Estamos em guerra. Todos os dias rebentam bombas. Por toda a parte. O atentado terrorista é imparável. O inimigo é invisível. E contudo as armas são as mesmas. Há interesses comuns. E o comum denominador é financeiro. O jogo das alianças negoceia-se e modifica-se constantemente no tabuleiro de xadrez mundial. As acções no terreno seguem o curso das acções na Bolsa. Há vítimas mas os danos são todos colaterais. É preciso porventura reconstruir a geografia à medida que se reescreve a História. E pensar que toda a janela é espelho, toda a imagem reflexo.
Oito personagens simbólicas que representam metaforicamente algumas das forças que dominam o mundo contemporâneo – grandes blocos: EUA, Rússia, Europa, Terceiro Mundo; grandes sectores de actividade: Armamento, Recursos Energéticos, Finanças, Burocracia; oposições ideológicas: Passado Tradicionalista, Juventude Revoltada, Oportunismo Cínico, Desencanto Conformista – jogam uma partida de xadrez verbal durante a qual talvez se decida um futuro próximo.

(CASA DAS ARTES)

Sexta-feira, 03 de fevereiro | 21h30

MUDAS MUDANÇAS
PT | 1980 | FIC | 86′ | M/12

Baseado em contos populares portugueses, escrito no pós 25 de Novembro de 1975 em jeito de alegoria, MUDAS MUDANÇAS reflecte sobre o risco de nada mudar quando tudo parecia possível.

 

Sábado, 04 de fevereiro

18h00

MAU DIA | PAS PERDUS | ACENTUADO ARREFECIMENTO NOCTURNO
PT | 2006 | FIC | 17′ // PT | 2008 | FIC | 37′ // PT | 2013 | FIC | 20′

Mau Dia
A partir do poema de Jacques Prévert intitulado «Petit déjeuner du matin», MAU DIA experimenta uma dilatação do tempo na qual a banalidade esconde o drama vivido. Todos os elementos são decompostos e, depois, reconstruídos – paredes pintadas, chuva orquestrada, acções mimadas, representadas ou cantadas…

Pas perdu
Não basta ver, é preciso interpretar o que se vê. Os PAS PERDUS de uma mulher que transporta uma mala prestam-se a múltiplas hipóteses – o espectador construirá uma história convocando toda a sua memória cinematográfica.

Acentuado arrefecimento nocturno
Expulsa do Éden, a família original é obrigada a enfrentar as agruras da existência. Porém cada um dos seus membros encara diversamente o mundo. A «câmara subjectiva» mostra-nos as visões incompatíveis de cada um. Tensões, ciúmes e sentimentos de culpa levam Adão, Eva e Caim a coligar-se contra Abel, obrigando-o a cometer o primeiro sacrifício.

21h30

MA’S SIN
PT | 1996 | FIC | 73′

Confrontada com um filme americano exclusivamente sonoro (que tenta resgatar os erros que Hitchcock julgava ter cometido, «enganando» o espectador através da manipulação das mentiras e dos flash-backs), uma espectadora é levada a convocar, para resistir aos fantasmas suscitados pelas imagens, toda a história do cinema, desde os primórdios, ou até a da arte dita moderna.

 

Sexta-feira, 10 de fevereiro | 21h30

BRECHT PARA PRINCIPIANTES | TRELA CURTA
PT | 2015 | FIC | 35′ // PT | 2015 | FIC | 86′

Brecht para principiantes
“Havia uma Associação de Solidariedade Social que se ocupava de pessoas com dificuldades. Havia um encenador politicamente comprometido que trabalhava com pessoas em situação difícil, nomeadamente com a tal Associação. Havia um dramaturgo que concebia o Teatro como instrumento de tomada de consciência e que assumia escrever peças didáticas. O encenador foi ter com o cineasta para o desafiar a fazer um filme a partir da sua obra cénica.(…)”

Trela curta
Dez personagens, que ocupam diversos patamares da escala hierárquica (social e política), discorrem sobre a necessidade e os benefícios da infantilização dos que se encontram sob o seu poder.

 

Sábado, 11 de fevereiro

15h00

OS MEUS MORTOS | L’ÉTERNEL DÉPART
PT | 1998 | FIC | 22′ // PT | 2010 | DOC | 32′

Os meus mortos
Uma escritora é visitada pelos fantasmas dos autores, todos mortos tragicamente, que formam o seu panteão pessoal. Ora esses mortos têm um único recado a transmitir-lhe, a saber: «Vem ter connosco.»

L’éternel départ
A luz de Inverno tudo despe. A janela do cineasta dá para o cemitério. Ao filmar as auroras e os poentes, ele interroga-se acerca do sentido dos ciclos naturais e a música de Fernando Lapa sugere-lhe respostas.

16h00

LA REVOYURE
PT | 2013-14 | DOC | 44′

Retrato do cineasta enquanto fantasma, condenado a assombrar os lugares onde foi feliz ou podia ter sido feliz. Assim sendo, as imagens filmadas não correspondem às que os seus olhos vêem, alteradas pela recordação. Só o espectador vê a mesma coisa que a câmara.

17h00

MOURIR BEAUCOUP
PT | 2004 | DOC | 50′

A par da impossível memória panorâmica de um corpo de cidade vivida e morrida, dentro de casa experimenta-se uma hipótese de fim do mundo que é também a de um começo, sob o signo do fecho no aquário, primeiro, do ventre.

18h00

MOURIR UN PEU
PT | 1981-85 | FIC | 91′

MOURIR UN PEU é composto de três curtas-metragens unidas pelo tema da descoberta da América (a cidade filmada como uma viagem marítima, os seus cafés apresentados como um imenso museu da colonização, a volta ao mundo realizada dentro do espaço da casa) e ligadas pela interrogação do cineasta sobre o seu próprio percurso.

21h30

FORA DE CAMPO
PT | 1988 | DOC | 109′

Um mês de Agosto, uma rua pacata no centro do Porto, um grupo de aprendizes cineastas, um realizador movido pelo desejo de descobrir tudo o que se encena por detrás e por diante das fachadas da rua onde reside. FORA DE CAMPO mostra como são potencialmente inesgotáveis os lugares que temos por perto.

 

DOMINGO, 12 de fevereiro | 15h00

DENTRO
PT | 2001 | FIC | 245′

Fruto de um ano de trabalho no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira, DENTRO acompanha o processo pelo qual os reclusos se apoderam da « Oresteia » de Ésquilo. Trata-se de um texto que, enquanto celebração da criação do primeiro tribunal, lhes diz directamente respeito, mas sobretudo de uma partitura que lhes permite exprimir sentimentos profundos de raiva, vingança e culpa.

Sessão de abertura: €3,00

Passe Geral: €15,00
Passe 11 de fevereiro: €5,00
Bilhete Normal: €3,50
Bilhete Estudante e +65 anos: €2,50
Bilhete Associado Cineclube do Porto: €0,50
A bilheteira abre 30 minutos antes de cada sessão.

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