Fevereiro 2014 | Casa das Artes

O Cineclube apresenta na Casa das Artes a seguinte programação para o mês de Fevereiro:

Quarta-feira, 05 de fevereiro | 21h30

A ESPADA E A ROSA
João Nicolau
POR/FRA |  2010 | Fic. | Cor | 142′ | M/12

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A viver sozinho em Lisboa com o seu gato Maradona e farto dos seus dias rotineiros, Manuel (Manuel Mesquita) abandona tudo e parte à aventura numa caravela portuguesa do séc. XV, de nome “Vera Cruz”. Aí, vai reencontrar uma tripulação de piratas, seus amigos de longa data. Mas uma traição vem abalar a lógica daquele grupo inusitado. Nas palavras dopróprio realizador, este é “um filme de aventuras e pirataria passado nos dias de hoje. Um filme musical que aborda e saqueia utopias. Um itinerário da perdição.” Primeira longa-metragem de João Nicolau, depois das curtas “Rapace” (2006) e “Canção de Amor e Saúde” (2009), estreou em 2010 na competição da secção Orizzonti do Festival de Veneza e foi o filme português em competição na última edição do Estoril Film Festival. Conta ainda com a participação especial de Michael Biberstein, José Mário Branco e Luís Miguel Cintra.

Interpretação: Manuel Mesquita, Luís Lima Barreto, Nuno Pino Custódio | Realização: João Nicolau |Argumento: João Nicolau, Mariana Ricardo | Fotografia: Mário Castanheira | Montagem: João Nicolau, Francisco Moreira | Produção: Sandro Aguilar, Luís Urbano

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Quinta-feira, 06 de fevereiro | 21h30

LIKE SOMEONE IN LOVE
Abbas Kiarostami
FRA/JAP |  2012 | Fic | Cor |  109′ | M/12

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Akiko (Rin Takanashi) é uma jovem japonesa que secretamente se prostitui para pagar os estudos universitários. Ninguém, nem mesmo o seu namorado Noriaki (Ryo Kase), sabe desta actividade. E ela protege esse segredo não apenas pelo medo do julgamento, mas também pela sua própria dificuldade em lidar com a situação. Um dia, conhece Takashi Watanabe (Tadashi Okuno), um velho professor catedrático, que se torna seu cliente regular e é, em todos os aspectos, a absoluta antítese de Noriaki. É assim que, inesperadamente, Akiko se começa a sentir dividida entre um namorado jovem, mas rude e ignorante, e um velho amável com quem consegue uma partilha intelectual que a faz sentir-se viva e, acima de tudo, respeitada.
Um filme totalmente falado em japonês, com argumento e realização do iraniano Abbas Kiarostami (“O Sabor da Cereja “, “Através das Oliveiras”, “O Vento Levar-nos-á”, “Shirin”, “Cópia Certificada”), sobre a relação inesperada entre uma jovem prostituta e um velho senhor durante apenas 24 horas.

Interpretação: Rin Takanashi, Tadashi Okuno, Ryô Kase  | Realização: Abbas Kiarostami | Argumento:Abbas Kiarostami | Fotografia : Katsumi Yanagijima | Produção: Charles Gillibert

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Sábado, 08 de fevereiro | 16h00

A BAÍA DOS ANJOS / LA BAIE DES ANGES
Jacques Demy
FRANÇA|  1963| Fic| Cor | 89’ | M/12

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Jean chega a Nice. Começa a interessar-se pelo jogo e encontra no casino uma jogadora, Jackie. Entre os dois nasce paixão e fascínio. São um pelo outro, ou ambos pelo jogo? Jean instrui-se emocionalmente. Jackie joga.
Título Original: La Baie des Anges  | Interpretação:  Jeanne Moreau, Claude Mann, Paul Guers |Realização: Jacques Demy | Argumento: Jacques Demy | Fotografia: Jean Rabier | Montagem: Anne-Marie Cotret | Produção: Paul-Edmond Decharme  | Música: Michel Legrand
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Quarta-feira, 12 de fevereiro | 21h30

BODY RICE
Hugo Vieira da Silva
PORTUGAL |  2006 | Fic | Cor | 120′ | M/12

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Desde 1980 que instituições alemãs enviam adolescentes para o sul de Portugal ao abrigo de projectos experimentais de reeducação social. É assim que Katrin chega ao Alentejo. Aí, ela vai estabelecer uma relação singular com o ambiente envolvente, uma situação agravada pela dureza da paisagem e o vazio de uma região socialmente desertificada. Katrin irá formar, com Julia e Pedro, um refúgio numa terra-de-ninguém…Primeira obra do realizador Hugo Vieira da Silva, “Body Rice” ganhou a Menção Especial do Júri no Festival de Locarno.
Interpretação: Alice Dwyer, Luís Guerra, Luís Soveral | Realização: Hugo Vieira da Silva |Argumento: Hugo Vieira da Silva | Fotografia: Paulo Ares | Montagem: Paulo MilHomens | Produção:Paulo Branco
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Quinta-feira, 13 de fevereiro | 21h30BARBARA
Christian Petzold
ALEMANHA |2012| Fic |  Cor | 105′ | M/12

Barbara

1980, República Democrática Alemã. A exercer medicina em Berlim, Barbara tenta arranjar um visto que lhe permita ir ao encontro de Jörg, o namorado, à Alemanha Ocidental. Após a recusa do Governo, é desterrada para um hospital de uma localidade rural, longe da capital. Enquanto Jörg tenta encontrar um plano de fuga, ela aguarda pacientemente, evitando tudo o que a possa ligar àquele lugar. Porém, com o passar do tempo, acaba por se sentir atraída por Andre (Ronald Zehrfeld), um colega particularmente caloroso que se esforça para que ela se sinta em casa. Mas, mesmo quando acaba apaixonada por ele, Barbara não consegue entregar-se totalmente, obcecada com a hipótese de ele ser um espião contratado para seguir os seus passos. Assim, à medida que Barbara se vai deixando levar pelos sentimentos que a ligam a Andre, acaba por ser forçada a tomar uma decisão que mudará, irremediavelmente, a sua vida.

Um filme do alemão Christian Petzold (“Yella”, “Jerichow”), que acabou por arrecadar, em 2012, o prémio de melhor realizador no Festival de Berlim.
Interpretação:  Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Rainer Bock | Realização: Christian Petzold |Argumento: Christian Petzold, Harun Farocki | Fotografia: Hans Fromm| Montagem: Bettina Bohler |Produção: Michael Weber | Música: Stefan Will
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Sábado, 15 de fevereiro | 16h00

O MUNDO NO ARAME / WELT AM DRAHT
Rainer Werner Fassbinder
ALEMANHA |  1973| Fic. | Cor |  205’ | M/12

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Apresentado por Pedro Flores. Realizador e argumentista. Licenciou-se em Som e Imagem pela Universidade Católica Portuguesa e concluiu o Mestrado em “Filmmaking” pela London FIlm School. É professor de Escrita de Argumento e coeditor da revista de cinema e teatro Drama. É realizador de três curtas-metragens presentes em diversos festivais internacionais.

Uma minissérie televisiva de duas partes, estreada em Outubro de 1973. Rodada em Paris, adapta um romance de ficção científica do americano Daniel Galouye sobre um cientista que, ao investigar acontecimentos estranhos relacionados com um “mundo virtual” criado num laboratório, dá por si a questionar a própria natureza da realidade. Com 3h25 de duração total, “O Mundo no Arame” nunca teve exibição comercial em sala e, depois de passar na televisão, caiu no esquecimento, interrompido apenas por pontuais retrospectivas do cineasta. O seu restauro, a cargo da Fundação Fassbinder e sob a supervisão do director de fotografia original, Michael Ballhaus, sublinha mais uma vez a noção de “liberdade” que percorria o cinema dos anos 1970.
Título Orginal: Welt am Draht| Interpretação:   Klaus Löwitsch, Barbara Valentin, Mascha Rabben  |Realização: Reiner Werner Fassbinder | Argumento: Rainer Werner Fassbinder | Fotografia: Michael Ballhaus | Montagem: Ursula Elles, Marie Anne Gerhardt | Produção: Peter Märthesheimer, Alexander Wesemann | Música: Gottfried Hüngsberg
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Quarta-feira, 19  de fevereiro | 21h30
AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO
Miguel Gomes
FRA/POR |  2008 | Doc-Fic. | Cor | 150′ | M/12
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Ficção invadida pelo documentário, seria a história de um pai, a filha e o primo dela, músicos de uma banda de música popular a tocar pelas aldeias do Portugal profundo, em que imigrantes regressados à terra se cruzam com populares, entre festa e baile, cerveja, jogos e caçadas, durante o quente mês de Agosto. Seria a história e não é, porque realizador e equipa técnica irrompem pelo filme dentro, em vez de irem directamente ao assunto, e se misturam com actores não profissionais, entre os quais Sónia Bandeira e Fábio Oliveira. O filme conta ainda com a participação de Luís Marante, cantor do Agrupamento Musical Diapasão. “Aquele Querido Mês de Agosto” é a segunda longa-metragem de Miguel Gomes, depois de “A Cara Que Mereces” e várias curtas-metragens. O realizador justifica assim a entrada no documentário na ficção: “Documentário? Ficção? A meio deste filme vemos uma ponte: a ponte romana de Coja sobre o rio Alva, da qual se atira Paulo ”Moleiro”. Sem querer parecer Confúcio, diria que de qualquer uma das margens que esta ponte une se avista perfeitamente a outra. E que o rio é sempre o mesmo”.
Interpretação:   Sónia Bandeira, Fábio Oliveira, Joaquim Carvalho  | Realização: Miguel Gomes |Argumento: Telmo Churro, Miguel Gomes, Mariana Ricardo | Fotografia: Rui Poças | Montagem: Telmo Churro, Miguel Gomes | Produção: Sandro Aguilar, Luís Urbano, Thomas Ordonneau | Som: Vasco Pimentel
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Quinta-feira, 20 de fevereiro | 21h30

SEM DESTINO / ROAD TO NOWHERE
Monte Hellman
EUA | 2012| Fic. | Cor | 120′ | M/12

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Mitchell Haven (Tygh Runyan) é um realizador que descobre o argumento perfeito para o seu filme na história verídica de dois amantes malditos: a jovem e belíssima Velma Duran e o político norte-americano Rafe Tashen, envolvidos num escândalo de fraude, que culmina no trágico suicídio de ambos. Mitchell, fascinado com o enredo e mais ainda pela personagem de Velma, encontra na desconhecida Laurel (Shannyn Sossamon) a encarnação da beleza e carisma que procura para a sua personagem central. Mas com o passar dotempo, e cada vez mais envolvido na trama, a linha entre a ficção e a realidade começa a esvanecer-se até dar lugar à tragédia. Primeira longa-metragem de Monte Hellman (“Duelo no Deserto “, “A Estrada Não Tem Fim “, “Iguana”) em 20 anos. Um filme dentro de um filme que é, segundo o próprio, “um enigma impossível”. “Cabe a cada espectador resolvê-lo sozinho.” Na 67.ª edição do Festival de Veneza, recebeu um Leão de Ouro Especial.

Título Original: Road to Nowhere | Interpretação: Cliff de Young, Waylon Payne, Tygh Runyan, Shannyn Sossamon  | Realização: Monte Hellman | Argumento: Steven Gaydos | Fotografia: Josep M. Civit |Montagem: Céline Amelson | Produção: Monte e Melissa Hellman, Steven Gaydos | Música: Tom Russell

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Sábado, 22 de fevereiro | 16h00

O ESTADO DAS COISAS / DER STAND DER DINGE
Wim Wenders
ALE/ EUA / PORTUGAL| 1982| Dra. | 125’ | M/12

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Rodado parcialmente no nosso país, é um filme mítico sobre o cinema e a sua produção que reflecte a situação em que Wenders se encontrava naquela altura, a meio da rodagem de “Hammett” – o primeiro filme americano do realizador alemão a que a produtora de Coppola, a American Zoetrope, estava a pôr vários entraves em termos de escolhas artísticas.
Em “O Estado das Coisas”, uma equipa de rodagem está em Sintra a filmar “Os Sobreviventes” (inspirado no “The Day the World Ended”, de Roger Corman). Mas a película acaba, o dinheiro acaba e o produtor do filme desaparece. O realizador parte então para Los Angeles à procura do produtor do filme e para angariar novos fundos para terminar o filme. Mas acaba por descobrir que o motivo por trás do estranho desaparecimento teve a ver com a escolha do preto e branco para a filmagem. 
O filme – uma das primeiras produções do produtor independente português Paulo Branco – venceu, em 1982, o Leão de Ouro no Festival de Veneza.
Título Original: Der Stand der Dinge | Interpretação: Geoffrey Carey, Isabelle Weingarten, Jeffrey Kime, Rebecca Pauly  | Realização: Wim Wenders | Argumento: Robert Kramer, Josh Wallace, Wim Wenders | Fotografia: Henri Alekon, Fred Murphy, Martin Schafer | Montagem: Jon Neuburger, Peter Przygodda, Barbara Von Weitershausen | Produção: Chris Sievernich | Música: Jim Jarumsch, Jurgen Knieper
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Quarta-feira, 26 de fevereiro | 21h30

O BARÃO
Edgar Pêra
PORTUGAL |  2011 |Fic | Cor | 88′ | M/12

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Apresentado por Rodrigo Areias. Licenciou-se em Som e Imagem na Escola das Artes com a especialização em Imagem. Fez também uma especialização em realização na Tisch School of Arts na Universidade de Nova Iorque e o programa de produção Eurodoc. É realizador, produtor e foi responsável pela produção de cinema de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Trabalhou ou produziu com realizadores como Jean-Luc Godard, Aki Kaurismaki, Peter Greenaway, Manoel de Oliveira, Pedro Costa e Victor Erice, Edgar Pêra, João Canijo e F. J. Ossang, André Gil Mata, João Rodrigues e Jorge Quintela.

No ano de 1943, durante a II Guerra Mundial, a produtora americana Valerie Lewton chegou a Portugal e casou-se com um actor português que lhe deu a conhecer o conto “O Barão”, escrito por Branquinho da Fonseca. Valerie viu nele a história perfeita para um filme de terror, começando, em segredo, as filmagens numa fábrica do Barreiro.
Quando a PIDE soube da existência do filme, mandou destruir os negativos. A equipa técnica foi repatriada e os actores portugueses deportados para o Tarrafal, na ilha de Santiago, Cabo Verde, onde morreram torturados na “frigideira”.
Em 2005, foram descobertas duas bobinas e o guião do filme nos arquivos do cineclube do Barreiro. Através delas o realizador Edgar Pêra decidiu fazer o “remake” do filme original, contando a história de um barão tirânico que aterroriza a população das montanhas do Barroso, no Norte de Portugal.

Interpretação:   Nuno Melo, Marcos Barbosa, Leonor Keil | Realização: Edgar Pera | Argumento: Luísa Costa Gomes | Fotografia: Luís Branquinho | Montagem: Tiago Antunes | Produção: Ana Costa | Música : Vozes da Rádio

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Quinta-feira, 27 de fevereiro | 21h30

FOME / HUNGER
Steve McQueen
IRLANDA/ RU | 2008| Fic |  Cor | 96′ | M/16

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Prisão de Maze, Belfast, Irlanda do Norte, 1981. Bobby Sands é um activista do IRA que começa uma greve de fome contra o tratamento que dão aos prisioneiros. Sands, que morreria pouco tempo depois, vítima de ataque cardíaco, tenta conseguir para os activistas do IRA o estatuto de presos políticos e acaba por se transformar num símbolo da luta armada do grupo.
Steve McQueen recria a história, questionando as noções de mártir e herói. “Fome” é o primeiro filme do artista plástico britânico que ganhou o Turner em 1999 e que conquistou em Cannes, onde o filme foi apresentado na secção Un Certain Regard, a Caméra d’Or, troféu que distingue a melhor primeira obra apresentada no festival.

Título Original: Hunger | Interpretação: Michael Fassbender, Stuart Graham, Helena Bereen | Realização:Steve McQueen | Argumento: Enda Walsh, Steve McQueen | Fotografia: Sean Bobbitt | Montagem: Joe Walker | Produção: Iain Canning, Peter Carlton, Edmund Coulthard | Música: Leo Abrahams, David Homest
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Bilhete Normal: €3,50
Bilhete Estudante e Sénior: €2,50
Bilhete Associado Cineclube do Porto: €0,50
A bilheteira abre 30 minutos antes de cada sessão.
Casa das Artes – Sala Henrique Alves Costa
Rua de Ruben A. 210, 4150-639 – Porto
T.226 006 153
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