Ciclo Documental SAAL – de 27 de Setembro a 11 de Outubro de 2013

I2ADS – NEA / FBAUP apresenta, em colaboração com o Cineclube do Porto, um ciclo de cinema onde se pretende lançar um olhar reflexivo sobre o Projecto SAAL em Portugal, no âmbito do Programa “Bridging fissures, building engagement — INTERVENÇÃO PARTICIPADA NA CIDADE”. No final das sessões (exceto na primeira) haverá um espaço de comentário/debate com a presença de convidados.

Auditório da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

21h30 | Entrada livre

27 de Setembro | 4 de Outubro | 11 de Outubro

O SAAL

O Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL) foi um programa estatal, lançado durante o I Governo Provisório pelo arquiteto Nuno Portas que, entre 1974 e 76, desenvolveu, por todo o país, ações de renovação urbana destinadas a mitigar as graves carências habitacionais de que as classes populares da sociedade portuguesa padeciam. […] Na sua declaração de princípios, o SAAL convidava os moradores a participarem na resolução dos problemas habitacionais, salientando o seu direito à cidade. Nenhuma operação SAAL era iniciada sem que fosse apresentada junto das autarquias a expressão organizada da vontade popular. […]

Os residentes escolhiam os seus representantes nas “brigadas”, grupos de trabalho que integravam técnicos sociais, engenheiros, arquitetos e populares das zonas de intervenção. O seu objetivo era efetuar o levantamento das necessidades no terreno e concretizar as soluções necessárias para resolver os problemas identificados ao nível do alojamento. Simultaneamente, ao longo da sua existência fugaz, o SAAL catalisou diversas experiências de participação e activismo comunitário, dinamizadas a partir dos processos de realojamento, integrando aspetos culturais, económicos e políticos.

 in O Processo SAAL e a Arquitectura no 25 de Abril de 1974

José António Bandeirinha, Imprensa da Un. Coimbra (2007) 

saal

  

27 de Setembro:

“Continuar a Viver ou Os Índios da Meia-Praia” de António da Cunha Telles

Portugal | 1976 | Doc | Cor | 108’

A Meia-Praia, comunidade piscatória próxima de Lagos vive com o 25 de Abril de 1974 uma experiência original e exemplar. As velhas casas são substituídas por moradias de pedra erguidas pela população e nasce a esperança de constituição de uma cooperativa de pesca. Surgem dúvidas, contradições, desgaste. Assiste-se ao primeiro ato eleitoral livre. Filmado na linha dos grandes clássicos russos, as personagens ganham uma dignidade e uma nobreza ímpar, iluminados pelo sol do Algarve.

Argumento: António da Cunha Telles Produção: Animatógrafo Fotografia: Acácio de Almeida Montagem: António da Cunha Telles e Gisela da Conceição Diretor de Som: João Diogo Sonoplastia e Misturas: Alexandre Gonçalves Música e Canções: José Afonso Gravuras: Renée Gagnon Estreia em Portugal: Cinema Império de Lagos a 25 de Abril de 1976 Festivais: Quinzena dos Realizadores, Festival de Cannes.

 

4 de Outubro:

“Paredes Meias” de Pedro Mesquita

Portugal | 2009 | Doc | Cor | 53’

Paredes Meias é um documentário sobre o Bairro Bouça no Porto.

O Bairro Bouça é um projecto de habitação económica situado no Porto, da autoria de Álvaro Siza Vieira, cuja construção iniciou-se em meados dos anos 70 e que apenas recentemente foi concluído.

Três décadas depois, as 60 famílias que resistiram à falta de infra-estruturas e aos estaleiros das obras em curso, preparam-se agora para acolher os seus novos vizinhos: jovens atraídos pela possibilidade de morar no centro da cidade em casas simples e acessíveis.

11 de Outubro

“Porto, 1975” de Filipa César

Portugal | 2010 | Doc | Cor | 9’40”

Aplicando a mesma economia de meios usada em Allee der Kosmonauten (o desenrolar de uma bobine de película de 16 mm sem montagem) um longo plano sequência atravessa a Cooperativa das Águas Férreas da Bouça, um complexo de habitação social projectado por Álvaro Siza Vieira e parte integrante do programa SAAL (Serviço Ambulatório de Apoio Social, 1974-76). Estamos no Porto, em 2010, mas a memória sobre as complexas condições de construção destas habitações regressa a um passado tumultuoso, o Portugal quente de 1975.

“As Brigadas do SAAL” de Catarina Alves Costa

“Meninos Ciganos” de Manuela Bacelar

 

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